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A crise de fome ligada ao coronavírus pode matar mais pessoas do que a própria doença, alerta Oxfam


Link: https://edition.cnn.com/2020/07/12/us/hunger-crisis-deaths-coronavirus-oxfam-trnd/index.html?utm_source=twCNNi&utm_term=link&utm_medium=social&utm_content=2020-07-12T20%3A00%3A13

Veículo: Edition.cnn.com

Data de publicação: 12/07/2020

Autorx: Francesca Giuliani-Hoffman

Título Original: The hunger crisis linked to coronavirus could kill more people than the disease itself, Oxfam warns

Traduzido por/Translated by: Cintia Tetelbom

A pandemia de coronavírus já matou mais de meio milhão de pessoas em todo o mundo, e o número de casos continua a aumentar. Um novo relatório da Oxfam agora alerta que a crise de fome agravada pela pandemia pode potencialmente matar mais pessoas por dia do que a própria doença.


Cerca de 12.000 pessoas podem morrer de fome ligada à Covid-19 por dia até o final do ano, disse a Oxfam. Em comparação, dados da Universidade Johns Hopkins mostram que o dia mais mortal da pandemia até agora foi 17 de abril, quando foram registradas 8.890 mortes.


"A pandemia é a gota d'água para milhões de pessoas que já lutam com os impactos dos conflitos, mudanças climáticas, desigualdade e um sistema de alimentação quebrado que empobreceu milhões de produtores e trabalhadores do ramo de alimentos", disse o diretor executivo interino da Oxfam, Chema Vera.


Entre as questões que deixaram muitas pessoas sem poder colocar comida na mesa estão a perda de renda causada pelo desemprego ou uma redução nos pagamentos de remessas, a falta de apoio do governo para aqueles que trabalham na economia informal, e as interrupções na cadeia de suprimentos e os obstáculos enfrentados pelos produtores de alimentos.


Também contribuem para a crise as restrições de viagens relacionadas aos isolamentos, que afetam não apenas trabalhadores e agricultores, mas também a entrega de ajuda humanitária.


Esses novos desafios se somam a questões de longa data que agravam a fome global, incluindo guerras, mudanças climáticas e aumento da desigualdade.


Em seu relatório, a Oxfam chama a atenção aos titãs da indústria de alimentos e bebidas como Coca-Cola, Unilever, General Mills, entre outros.


"Enquanto isso, os que estão no topo continuam a lucrar: oito das maiores empresas de alimentos e bebidas pagaram mais de US$ 18 bilhões aos acionistas desde janeiro, mesmo quando a pandemia estava se espalhando pelo mundo - dez vezes mais do que a ONU diz que é necessário para impedir que as pessoas passem fome ", diz o comunicado.


Covid-19 exacerbando a escassez de alimentos


Segundo a Oxfam, a pandemia de coronavírus "jogou gasolina no fogo de uma crise de fome que já estava crescendo”.


Os dados do Programa Mundial de Alimentos, citados pela Oxfam, estimam que, em 2019, 821 milhões de pessoas apresentavam insegurança alimentar e 149 milhões delas sofriam de "fome em nível de crise ou pior". As projeções atuais apontam que o número de pessoas que sofrem de fome num nível de crise pode chegar a 270 milhões em 2020, como resultado da pandemia de coronavírus, um aumento de mais de 80% em relação ao ano anterior.


O relatório da Oxfam destaca 10 pontos críticos de fome extrema em todo o mundo, onde a pandemia está piorando situações já críticas. São eles:

Iêmen

República Democrática do Congo

Afeganistão

Venezuela

Sahel da África Ocidental

Etiópia

Sudão, Sudão do Sul

Síria

Haiti


Mas os efeitos negativos da pandemia em segurança alimentar também são sentidos em países de renda média, como Brasil, Índia e África do Sul, onde "as pessoas que estavam conseguindo se virar foram derrubadas pela pandemia", segundo a Oxfam.


O Brasil e a Índia estão agora lidando com o segundo e terceiro maiores surtos de coronavírus no mundo, superados apenas pelo dos Estados Unidos. Os casos no Brasil superaram 1,7 milhão e a Índia tem mais de 767.000. Os Estados Unidos ultrapassaram o número de 3 milhões de casos na quarta-feira (8/07/2020).


Insegurança alimentar nos EUA e pandemia


A fome está aumentando globalmente e os Estados Unidos não são exceção.


Durante a última semana, 1,3 milhão de pessoas solicitaram seguro-desemprego e, de acordo com a Feeding America, outros 17 milhões de pessoas nos Estados Unidos poderão estar em estado de insegurança alimentar em 2020 como conseqüência da pandemia. Isso traria o número total de americanos com dificuldade de colocar comida na mesa para cerca de 54 milhões de pessoas, ou uma em cada seis, estima a organização.

"Este é um aumento de 46% em relação aos 37 milhões de pessoas em estado de insegurança alimentar antes da crise de COVID-19", com base em dados de 2018, disse Emily Engelhard, diretora administrativa da Feeding America.


Muitos americanos estão usufruindo dos bancos de alimentos em todo o país para sobreviver, diz a organização.


Com base em dados preliminares da última pesquisa do banco de alimentos da Feeding America, 83% dos bancos de alimentos da organização relataram um aumento no número de pessoas atendidas em relação a esse período do ano passado, com um aumento médio de 50%, explicou Engelhard.


A pandemia também expôs vulnerabilidades nas cadeias de suprimento de alimentos dos EUA. Por exemplo, os surtos de Covid-19 afetaram gravemente as fábricas de processamento de carne em todo o país, causando escassez.


"Precisamos de um sistema de cadeia de abastecimento mais diversificado, no qual você tenha muito mais agentes" para evitar esses tipos de problemas, disse à CNN Miguel Gómez, professor associado da Escola de Economia Aplicada de Cornell.


"É preciso haver um equilíbrio entre ter operadores regionais e mais operadores globais. Não se pode depender de apenas uma cadeia de suprimentos para alimentar uma população, porque isso é arriscado", explicou Gómez, especialista em sustentabilidade da cadeia de suprimentos.


Evitando o pior cenário possível


Gómez disse que não ficou surpreso com as previsões sombrias da Oxfam, embora esteja otimista de que o pior cenário que eles estão antecipando possa ser evitado.


"Está claro que nosso sistema de distribuição de alimentos apresenta enormes desigualdades", afirmou Gómez. "Uma preocupação de longo prazo é como podemos mudar a ênfase de concentrar-se apenas na eficiência e na maximização de lucros para um sistema de distribuição e produção de alimentos mais resiliente e justo", acrescentou.


Gómez acredita que as soluções estão em ações políticas globais, como investir em programas de assistência alimentar, construir ou fortalecer redes de segurança alimentar e apoiar os agricultores à medida que suas receitas são reduzidas.


Uma intervenção governamental mais vigorosa para comprar e redistribuir alimentos, e medidas para impedir que os preços de varejo de necessidades básicas subam "pelo menos no curto prazo" também seriam impactantes, argumentou Gómez.


"Não devemos esquecer a importância de políticas públicas ou do governo para garantir a disponibilidade de produtos a preços justos", afirmou Gómez.

As recomendações da Oxfam sobre como resolver a crise em questão também apontam para a importância da governança e liderança em nível global.


"Os governos podem salvar vidas agora, financiando totalmente o apelo COVID-19 da ONU, garantindo que a ajuda chegue àqueles que mais precisam e perdoando as dívidas dos países em desenvolvimento para liberar fundos para proteção social e saúde", disse o diretor executivo interino da Oxfam, Chema Vera.


"Para acabar com essa crise de fome, os governos também devem construir sistemas alimentares mais justos, mais robustos e sustentáveis, que coloquem os interesses dos produtores e trabalhadores de alimentos à frente dos lucros das grandes empresas de alimentos e agronegócios", acrescentou Vera.

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