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Bolsonaro deixou o Coronavírus devastar o país, e a Favela está tomando medidas com as próprias mãos


Link: https://theintercept.com/2020/05/30/brazil-coronavirus-favela-mutual-aid/

Veículo: Theintercept.com

Data de publicação: 30/05/2020

Autorx: Luiza Dable

Título original: Jair Bolsonaro Let Coronavirus Ravage Brazil. A Favela Is Taking Matters Into Its Own Hands.

Traduzido por/Translated by: Miranda Perozini



As lideranças brasileiras negaram a severidade da pandemia de Coronavírus e rejeitaram medidas de prevenção que evitam que a doença se espalhe. Agora, o país tem o maior índice de novas contaminações no mundo.


Em São Paulo, uma associação de moradores da favela mais populosa do Brasil está lutando para reduzir os danos causados pelo novo vírus. Na ausência de assistência governamental, os moradores tomaram a frente e decidiram criar um sistema de emergência informal.


“Na verdade, no início criou-se um programa de presidência de rua. Cada presidente é responsável por cuidar e fazer o levantamento de 50 famílias, e é através desse levantamento que eles acabam acionando a ambulância”, explicou Renata Alves, coordenadora da equipe de ambulância.


Alves coordena o serviço utilizando o WhatsApp: “Meu número acabou se tornando a central de emergência das pessoas.” A associação está alugando ambulâncias do sistema privado por R$ 1.100,00 ao dia.


“A gente precisa, de algum jeito, fazer uma renda. Então, a gente precisa ir pra rua, né? Muita gente precisa. Então, eles vão pra rua e quando chegam lá se deparam com o risco do vírus.” Demitida do seu trabalho, Larissa Conceição cuida e observa cerca de 50 famílias como uma presidente de rua.


O morador infectado Roberto de Souza disse que deveria estar internado, mas a superlotação do hospital o impediu. “Em uma das vezes que fui ao hospital, tive que ir às pressas. Estava sentindo falta de ar, quase morri sem ar. Entrei na unidade em que estavam os infectados por Coronavírus e tinham mais de 50 lá em estado gravíssimo. O médico disse que o certo era que eu fosse internado”, disse.


“Já que a gente não está tendo nenhum apoio do governo, procuramos apoiar uns aos outros”, explica Givanildo Pereira, coordenador dos presidentes de rua. Voluntários estão aprendendo técnicas de primeiros socorros e dois hospitais para infectados foram instalados em escolas locais.


Segundo o médico cirurgião Ricardo Vieira, já são mais de 80 casos suspeitos só em abril. Oito mortes foram confirmadas por Covid-19 e há cerca de 140 pacientes em quarentena, e os casos só aumentam. Até duas semanas atrás, os números estavam pela metade.

“Eu estou triste porque, eu sei que é até trágico falar isso e pode parecer muito dramático, mas muita gente vai falecer. Ninguém viu a gravidade que é, tem sempre aquela piadinha de Coronavírus, e a piada só é engraçada até chegar na família da gente”, declarou Jéssica Lourenço, uma das presidentes de rua.


Renata Alves explica que a quarentena não foi idealizada para a logística da favela. “Temos que explicar e conscientizar as pessoas de que elas não podem sair, mas de contrapartida o morador da favela argumenta que precisa sair porque tem uma família para alimentar e um aluguel para pagar. E aí, como você dá continuidade ao argumento de que o cara precisa ficar dentro de casa? Você recrimina ele por ter saído?”, questionou.


Os moradores também estão distribuindo milhares de cestas básicas e kits de higiene. “Nada do que vocês estão vendo aqui é diferente do que todos aqui já fazíamos. A diferença é que era sem holofote”, declarou.

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