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Cientistas de todo o mundo tiraram um dia para protestar contra o racismo sistêmico

Milhares de pesquisadores, editores de revistas e departamentos universitários pararam de trabalhar no dia 10 de junho para combater o racismo no mundo da pesquisa.

Link: https://www.colorlines.com/articles/scientists-around-world-took-day-protest-systemic-racism

Veículo: Colorlines.com

Data de publicação: 11/06/2020

Autorx: Shani Saxon

Título original: Scientists around the world took a day off to protest systemic racism

Thousands of researchers, journal publishers and university departments stopped work on June 10 to fight against “anti-black racism in the world of research.”

Traduzido por/Translated by: Hannah Hebron

Milhares de cientistas em todo o mundo tiraram um dia de seus empregos na quarta-feira (10 de junho) em protesto contra o “racismo anti-negro no mundo da pesquisa”, relata a Wired. A morte de George Floyd nas mãos dos policiais de Minneapolis em 25 de maio provocou protestos em todo o mundo contra a discriminação racial e a brutalidade policial. Esses protestos levaram milhões "ao acerto de contas com os sistemas racistas dos quais participam e se beneficiam", segundo a Wired. Cientistas negros e seus apoiadores não atenderam essa chamada com ânimos leves.


Brittany Kamai, astrofísica com uma nomeação conjunta na Universidade da Califórnia, em Santa Cruz e na Caltech, conversou com a Wired sobre sua reação inicial ao ver as empresas postarem declarações de apoio ao movimento Black Lives Matter nas mídias sociais. "Vimos e pensamos: 'Não precisamos da sua solidariedade", disse ela. "Precisamos de suas ações."


Kamai logo se moveu para ajudar a organizar o “Apagão do STEM (ciências, tecnologia, engenharia e matemática) pelas vidas negras, um pedido para que os pesquisadores parem seu trabalho e passem [10 de junho] aprendendo sobre como o racismo sistêmico funciona em seus campos e instituições e, em seguida, para que elaborem planos para erradicar essas desigualdades.” Segundo a Wired, o evento foi coordenado por uma “coalizão diversificada de cientistas usando as hashtags #Strike4BlackLives, #ShutDownSTEM, #ShutDownAcademia e #VSVillage. O movimento é direcionado a pessoas que não estão trabalhando diretamente em pesquisas críticas relacionadas ao COVID-19.


Kamai apontou urgentemente para a Wired que os cientistas têm a responsabilidade de se posicionar, principalmente porque seus trabalhos podem ser usados para prejudicar intencionalmente a comunidade negra. Por exemplo, como Colorlines relatou anteriormente, "os defensores dos direitos civis há muito criticam o uso da tecnologia de reconhecimento facial devido à sua capacidade de rastrear silenciosamente grandes porções de comunidades de racializadas".


"Tanto na academia quanto no universo do que chamamos de STEM (ciências, tecnologia, engenharia e matemática), fazemos enormes contribuições para a sociedade na forma de trabalhos de pesquisa, livros e tecnologia", disse Kamai à Wired. “A raiz do problema é o racismo anti-negro, que aparece em todas as suas manifestações. Isso inclui perpetuar narrativas racistas que levam a assassinatos de vidas negras e é perpetuado no STEM e na academia. Com este dia de ação, estamos trazendo esse protesto para nossas ruas digitais."


Kamai se organizou rapidamente. De acordo com a Wired:


O evento se materializou em pouco mais de uma semana. Em 1º de junho, depois de um fim de semana de violência policial interminável na televisão, Kamai estava enviando mensagens de texto, mensagens via Slack e enviando emails para um grupo informal de físicos, astrônomos, biólogos e especialistas em diversidade e inclusão sobre o que eles poderiam estar fazendo para conectar os pontos entre o racismo no policiamento e na ciência. Um deles era Brian Nord, astrofísico da Universidade de Chicago, com quem trabalhava no Fermilab quando era estudante de graduação. Enquanto isso, Nord estava tendo a mesma discussão com Chanda Prescod-Weinstein, uma cosmóloga da Universidade de New Hampshire, e outros membros do Particles for Justice, um grupo de físicos de partículas que se uniram em 2018 para denunciar o sexismo estrutural em seu campo.


Juntos, eles se uniram ao VanguardSTEM - uma plataforma online que hospeda conversas com mulheres de racializadas no STEM - para lançar um plano de ação. Na sexta-feira, os organizadores do #ShutdownSTEM e do #ShutdownAcademia lançaram um site com o pedido de cientistas para cancelar experimentos, aulas ou reuniões relacionadas ao trabalho planejadas para 10 de junho e detalhes sobre como participar. No mesmo dia, o Particles for Justice lançou um pedido semelhante e convidou outros cientistas a se comprometerem com o # Strike4BlackLives. Na noite de terça-feira, mais de 4.000 pessoas haviam assinado, representando cientistas em todos os continentes habitados.


Os organizadores do dia de protesto esperam que cientistas não-negros aproveitem o dia para aprender e descobrir maneiras de elevar pessoalmente as vozes negras, relata a Wired. Para os acadêmicos negros, eles esperam ter conseguido "dar um tempo nas demandas de ser um estudioso negro - relaxar, recarregar as energias, sentir seu luto, tudo o que precisarem - sem prazos de publicações e obrigações do ensino sobre eles", de acordo com a Wired.


"Dar ações concretas que as pessoas podem realmente fazer parece ajudar a guiar as pessoas a canalizar sua energia para fazer a diferença", disse Tien-Tien Yu, físico e membro da Particles for Justice para a Wired. “Por um tempo, eu tenho sido a pessoa chata do meu departamento tentando responsabilizar as pessoas, sem resultados, por isso é encorajador ver meus colegas começarem a me apoiar e agora as pessoas se comprometendo em campos diferentes - e isso está virando uma bola de neve como nunca esperávamos”, acrescentou.

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