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A economia no coronavírus é especialmente difícil para pessoas transgênero

Conforme a pandemia assola o país, há a preocupação de que um grupo já marginalizado seja ainda mais deixado para trás.

Link: https://www.nytimes.com/2020/06/16/us/coronovirus-covid-transgender-lgbtq-jobs.html?smtyp=cur&smid=tw-nytimes

Veículo: Nytimes.com

Data de publicação: 16/06/2020

Autorx: Scott James

Título original: Coronavirus Economy Especially Harsh for Transgender People

As the pandemic ravages the country, there are concerns that an already marginalized group will be further left behind.

Traduzido por/Translated by: Nina Soares

Este artigo é parte da nossa última coletânea especial para o Mês do Orgulho LGBTAQ+ (Pride), apresentando vozes LGBTQ falando sobre os desafios e possibilidades nesses tempos difíceis.


Quando Aria Villajin era uma adolescente, seu pai deixou claros os sentimentos dele sobre pessoas gays e transgênero.


“Ele sempre chamou pessoas LGBT de 'isso'. Ele não se dirigia a eles por pronomes. Eles eram “isso”, senhorita Villajin, agora com 33 anos, disse. “Se ele descobrisse que algum dos filhos era gay, ele o faria mudar de nome”.


A senhorita Villajin se apresentava como homem então. Quando sua mãe foi deportada para as Filipinas, seu pai, um homem preto, levou a família para um subúrbio branco e conservador de Sacramento. Aos 18 anos, ela foi embora para São Francisco, mas mesmo lá a vida não foi fácil e, sem apoio, ela largou a faculdade.


“O machismo está em toda parte, transmisoginia também, transfobia está em toda parte, racismo está em toda parte”, ela diz. “Você não pode ir a lugar nenhum sem ter que lidar com isso, sendo alguma dessas coisas”.


A experiência de rejeição e luta da senhorita Villajin é muito familiar à comunidade transgênero. Enquanto a comunidade LGBTQ+ em geral tem visto uma maior aceitação, pessoas transgênero não tem experienciado os mesmos ganhos.


Os anos de governo de Trump tem sido especialmente turbulentos. Uma decisão histórica da Suprema Corte desta semana baniu a discriminação no ambiente de trabalho contra pessoas gays e transgênero, porém, na semana passada, o governo eliminou proteções federais contra a discriminação no sistema de saúde para pessoas transgênero e as barrou do serviço militar, exceto em circunstâncias específicas.


A desigualdade tem sido ainda pior para pessoas transgênero racializadas, que enfrentam maiores taxas de pobreza, falta de moradia, violência e infecções por HVI, como mostram pesquisas.


“Essas pessoas têm sido discriminadas quando tentam encontrar empregos formais por causa da transição, da sua aparência”, diz Felipe Flores fundador do programa Queer and Trans People of Color – QTPOC (Pessoas Trans e Queer Racializadas) no Strut, o centro comunitário e de saúde da San Francisco AIDS Foundation (Fundação São Francisco para AIDS em tradução livre).


Conforme a pandemia do coronavírus assola o país, há a preocupação de que um grupo já marginalizado seja ainda mais deixado para trás, de acordo com entrevistas com mais de uma dúzia de especialistas que trabalham com a população transgênero.


“Pessoas transgênero serão mais prejudicadas pelo impacto na economia do que qualquer outra pessoa LGBTQ+”, diz Rebecca Rolfe, diretora executiva do San Francisco LGBTQ+ Center (Centro LGBTQ+ de São Francisco em tradução livre). “Pessoas que são mais marginalizadas serão mais impactadas. Eles serão os últimos a serem contratados, e com os menores salários”.


O Centro administra o Trans Employment Program (Programa de Emprego Trans em tradução livre), que nos últimos 12 anos ajudou mais de 1000 pessoas transgênero com assistência no mercado de trabalho.


Os obstáculos – mesmo antes do Covid-19 – eram assustadores. Enquanto estudos mostram que homens brancos gays experienciam níveis de pobreza similares a homens heterosexuais, pessoas transgênero racializadas são seis vezes mais propensas do que a maioria a estar desempregadas, e “cinco vezes mais propensas a ter salários menores que 24,000 dólares [por ano]”, diz Rolfe.


Antes da pandemia, muitas pessoas transgênero racializadas que não conseguiram encontrar empregos tradicionais, se voltaram para o trabalho sexual, de acordo com ativistas, e algumas têm continuado, mesmo com o risco de contrair o vírus.


Elas e eles “ainda estão envolvidos com o trabalho sexual porque esta ainda é sua principal fonte de renda”, diz o senhor Flores.


“Essas pessoas não podem negociar métodos de distanciamento social porque ainda precisam gerar renda”, diz Flores. “Eles não têm acesso a outras formas de renda”.


Naomi Wright, que faz divulgação comunitária para o Centro LGBTQ+ de São Francisco, disse que um cliente que era um trabalhador do sexo ficou doente no início de março com sintomas do Covid-19.


“Não só a pessoa não podia pagar para ir ao hospital, como não tinha seguro de saúde”, disse Wright.


Não se sabe o impacto exato do Covid-19 na comunidade LGBTQ+, em parte, ao menos, porque agências federais e estaduais não estão coletando informações. A Califórnia, por exemplo, não coletou dados sobre a orientação sexual e identificação de gênero nas estatísticas da pandemia.


Mas outra fonte está soando o alarme.


O Trans Lifeline nacional (Centro de Valorização da Vida Trans nacional em tradução livre) lida com 75.000 ligações de pessoas transgênero anualmente, as conectando com operadores transgênero para ajuda e conversa. Desde a pandemia, as ligações têm aumentado ou expressado uma nova urgência.


“Nós temos visto quatro ou cinco vezes mais ligações sobre desemprego e sobre discriminação do ambiente de trabalho”, diz Elena Rose Vera, diretora executiva da linha direta. Ligações sobre violência doméstica e seguro saúde aumentaram 300%, por causa de obstáculos para o acesso a tratamentos e medicações relacionados ao confinamento, diz Vera.


Organizações estão se juntando para intervir.


O Alliance Health Project (Projeto Aliança da Saúde), que oferece serviços de saúde mental para a comunidade LGBTQ+ de São Francisco, fez alterações em seu funcionamento para oferecer terapia por telefone ou vídeo chamada, e está oferecendo telefones para pessoas em situação de rua.


Em Los Angeles o “Covid-19 Mutual Aid Fund for LGBTQI+ BIPOC Folks” (Fundo de Ajuda Mútua Covid-19 para Pessoas LGBTQI+, Pretas, Indígenas e Racializadas, em tradução livre) levantou mais de $253,000 dólares no site GoFundMe; quantia que foi distribuída, em sua maioria nacionalmente, para mais de 2.500 pessoas necessitadas.


“Pessoas racializadas trans, não binárias e de gênero não conforme iam ficar desamparadas nesse momento”, diz Amita Swadhin, organizadora do fundo.


Os empréstimos pessoais são pequenos, geralmente $100 dólares, mas tais gestos podem ter um impacto enorme para pessoas transgênero, que frequentemente se sentem isoladas.


Sammie Ablaza Wills, uma pessoa de 25 anos que se identifica como não-binária, cresceu na pobreza em Las Vegas e agora vive na Bar Area (região onde está situada a cidade de São Francisco). “Meus professores me ajudavam trazendo comida pra eu comer na escola pois sabiam que eu não tinha muito acesso à comida”, diz.


Esses atos de gentileza levaram a uma bolsa na Universidade de Stanford e um emprego de diretore do API Equality – Norte da Califórnia, um grupo que luta contra a discriminação de pessoas LGBTQ asiáticas e das Ilhas do Pacífico, um problema exacerbado pelo crescimento do preconceito contra asiáticos durante a pandemia.


“O que o momento do Covid-19 está nos mostrando é que a desigualdade que existia antes da pandemia só foi aumentada e ampliada durante a crise”, el diz.


A senhorita Villajin também está ajudando durante a pandemia. Depois de sua luta inicial durante a adolescência, ela agora é uma defensora de pessoas que sofrem com problemas de saúde mental. E, como a artista drag Pearle Teese, ela também organiza o Trans Voice (Vozes Trans), um evento de construção de comunidade no Strut.


“Eu acho que muitos de nós precisam de alguma ajuda e eu sou alguém que precisou de ajuda quando era mais nova e não a recebeu”, ela diz.

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