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Jovens do TikTok e fãs de K-Pop alegam que foram os responsáveis pelo fracasso do comício de Trump

É verdade que uma pegadinha bem sucedida aumentou as expectativas de participação no comício do presidente Trump em Tulsa, Oklahoma?

Link: https://www.nytimes.com/2020/06/21/style/tiktok-trump-rally-tulsa.html

Veículo: Nytimes.com

Data de publicação: 21/06/2020

Autorx: Taylor Lorenz, Kellen Browning e Sheera Frenkel

Título original: TikTok Teens and K-Pop Stans Say They Sank Trump Rally

Did a successful prank inflate attendance expectations for President Trump’s rally in Tulsa, Okla.?

Traduzido por/Translated by: Hannah Hebron

A campanha do presidente Trump prometeu grandes multidões em seu comício em Tulsa, Oklahoma, no sábado, mas não alcançou tal feito. Centenas de usuários adolescentes do TikTok e fãs de K-pop afirmam que são pelo menos parcialmente responsáveis.


Brad Parscale, presidente da campanha de reeleição de Trump, postou no Twitter na segunda-feira que a campanha recebeu mais de um milhão de pedidos de ingressos, mas os repórteres do evento observaram que a participação era menor do que o esperado. A campanha também cancelou os eventos planejados para acontecerem do lado de fora do comício para uma multidão prevista que não se concretizou.


Tim Murtaugh, porta-voz da campanha de Trump, disse que os manifestantes impediram os apoiadores de entrar no comício, realizado no BOK Center, que tem capacidade para 19.000 pessoas.


Mas os repórteres presentes disseram que aconteceram poucos protestos. De acordo com um porta-voz do Departamento de Bombeiros de Tulsa, no domingo, o corpo de bombeiros contabilizou 6.200 ingressos digitalizados de participantes (esse número não incluiria equipe, mídia ou aqueles em camarotes).


Usuários do TikTok e fãs de bandas do estilo musical K-pop alegaram ter registrado potencialmente centenas de milhares de ingressos para o comício da campanha de Trump como uma brincadeira. Depois que a conta oficial da campanha de Trump @TeamTrump postou um tweet pedindo aos apoiadores que se registrassem gratuitamente usando seus telefones em 11 de junho, as contas de fãs do K-pop começaram a compartilhar as informações com os seguidores, incentivando-os a se inscreverem no comício - e então, não comparecer ao evento.


A tendência se espalhou rapidamente no TikTok, onde vídeos com milhões de visualizações instruíram os espectadores a fazer o mesmo, como publicado na CNN na terça-feira. "Ah, não, eu me inscrevi em um comício de Trump e não poderei ir", brincou uma mulher, juntamente com uma tosse falsa, em um TikTok publicado em 15 de junho.


Milhares de outros usuários postaram tweets e vídeos semelhantes ao conteúdo do TikTok que acumularam milhões de visualizações. Os representantes do TikTok não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.


“Isso se espalhou principalmente pelo 'Alt TikTok' - nós mantivemos [a brincadeira] em um espaço mais calmo, onde as pessoas fazem brincadeiras e muito ativismo”, disse o YouTuber Elijah Daniel, 26, que participou da campanha de mídia social. “O Twitter do universo K-pop e o Alt TikTok têm uma boa aliança, onde espalham informações entre si muito rapidamente. Todos conhecem os algoritmos e como podem impulsionar os vídeos para chegar onde querem. ”


Muitos usuários excluíram suas postagens após 24 a 48 horas, a fim de ocultar o plano e impedir que ele se espalhasse na Internet convencional. "A maioria das pessoas que os criaram os deletou após o primeiro dia, porque não queríamos que a campanha de Trump fosse divulgada", disse Daniel. "Esses jovens são inteligentes e pensaram em tudo."


Os usuários do Twitter foram rápidos em declarar a vitória da campanha nas mídias sociais na noite de sábado. "Na verdade, você acabou de ser zoado por adolescentes no TikTok", twittou a representante Alexandria Ocasio-Cortez, de Nova York, em resposta ao Sr. Parscale, que twittou que "manifestantes radicais" "interferiram" na participação.


Steve Schmidt, estrategista republicano de longa data, acrescentou: "Os adolescentes da América deram um golpe selvagem contra o @realDonaldTrump".


"Os esquerdistas e os trolls online fazem comemoram a vitória, achando que de alguma forma afetaram o comparecimento às manifestações, não sabem do que estão falando ou como nossos comícios funcionam", disse Parscale em comunicado no domingo. "Registrar-se em um comício significa que você alterou o status de seu celular e constantemente eliminamos números falsos, como fizemos com dezenas de milhares no comício de Tulsa, no cálculo de nosso possível número de participantes".


Mary Jo Laupp, 51 anos, de Fort Dodge, Iowa, disse que estava assistindo usuários negros do TikTok expressarem sua frustração com o fato de Trump ter realizado seu comício no feriado de Juneteenth, em 19 de junho. Ela declarou sua própria raiva em um vídeo do TikTok no dia 11 de junho - e forneceu um plano de ação.


"Eu recomendo a todos aqueles que querem ver este auditório de 19.000 lugares quase ou completamente vazio, ir reservar ingressos agora e deixá-lo ali sozinho no palco", disse Laupp no ​​vídeo.


Quando ela checou o telefone na manhã seguinte, disse Laupp, o vídeo estava começando a se tornar viral. Ele tem mais de 700.000 curtidas, acrescentou ela, e mais de dois milhões de visualizações.


Ela disse acreditar que pelo menos 17.000 ingressos foram contabilizados com base nos comentários que recebeu em seus vídeos do TikTok, mas acrescentou que as pessoas que a procuram dizem que dezenas de milhares de ingressos foram reservados.


Laupp disse que estava "impressionada" e "aturdida" com a possibilidade de que ela e o esforço que ela ajudou a inspirar pudessem ter contribuído para a baixa participação nos comícios.


"Há adolescentes neste país que participaram desse pequeno protesto de não comparência, que acreditam que podem ter um impacto no sistema político do seu país, apesar de não terem idade suficiente para votar no momento", disse ela.


O esforço para privar Trump de uma grande multidão se espalhou do Twitter e TikTok para várias plataformas de mídia social, incluindo Instagram e Snapchat.


Erin Hoffman, 18 anos, do interior de Nova York, disse que ouviu de uma amiga no Instagram sobre a campanha nas redes sociais. Em seguida, ela espalhou a campanha pelos stories do Snapchat e disse que os amigos que viram o post disseram que estavam reservando ingressos.


"Trump está tentando ativamente privar milhões de americanos de muitas maneiras e, para mim, esse foi o protesto que pude realizar", disse Hoffman, que reservou dois ingressos para si mesma e convenceu um de seus pais a também reservar mais dois. "Ele não merece a plataforma que recebeu."


Laupp disse que muitas das pessoas que compartilharam seu vídeo adicionaram comentários incentivando as pessoas a adquirir os ingressos com nomes e números de telefone falsos. Na seção de comentários, em seu próprio vídeo, os usuários do TikTok trocaram conselhos sobre como adquirir um número do Google Voice ou outra linha telefônica conectada à Internet.


"Todos sabemos que a campanha de Trump se alimenta de dados, eles estão constantemente pesquisando esses comícios", disse Laupp, que trabalhou em vários comícios da campanha de Pete Buttigieg para a nomeação democrata para presidente. “Alimentá-los com dados falsos foi um bônus. Os dados que eles pensam ter, os dados que estão coletando deste comício não são precisos."


Os funcionários da campanha, no domingo, disseram que muitas pessoas que se inscreveram não eram apoiadores, mas trapaceiros virtuais. Um consultor de campanha afirmou que “os dados de trolls” ainda eram utilizáveis, alegando que ajudaria a campanha a evitar a mesma armadilha no futuro. O consultor disse que os dados podem ser colocados no sistema para "reforçar a fórmula usada para determinar a participação projetada para comícios".


Laupp acrescentou que várias pessoas que participaram de sua campanha reclamaram que, depois de se inscreverem no comício com seus números de telefone reais, não conseguiam fazer com que a campanha de Trump parasse de enviar mensagens de texto para eles.


Mary Garcia, uma estudante de 19 anos da Califórnia, disse que usou um número do Google Voice para se inscrever no comício, mas que duas de suas amigas que também se inscreveram usaram seus números reais e foram inundadas com mensagens da Campanha Trump.


Garcia disse que decidiu se inscrever por impulso depois de ver o vídeo de Laupp, mas depois de ver a campanha de Trump se gabando de seus números recordes de ingressos, lamentou o que havia feito.


"Sinto que nem importa se o comício está cheio ou não", disse Garcia. "Eles vão se vangloriar de um milhão de ingressos sendo registrados e depois vão mentir, ou o que quer que seja, sobre o tamanho da audiência."


Os fãs de K-pop estão se envolvendo cada vez mais na política americana nos últimos meses. Depois que a campanha de Trump solicitou mensagens para o aniversário do presidente em 8 de junho, a audiência virtual do K-pop enviou um fluxo de mensagens de pegadinha. E no início de junho, quando o Departamento de Polícia de Dallas pediu aos cidadãos que enviassem vídeos de atividades suspeitas ou ilegais por meio de um aplicativo dedicado, o K-pop Twitter reivindicou o crédito por ter travado o aplicativo enviando milhares de vídeos "fancam".


Eles também tomaram de assalto a hashtag #WhiteLivesMatter em maio, enchendo-a de spam com vídeos K-pop sem fim, na esperança de dificultar que os supremacistas e simpatizantes brancos se encontrem e comuniquem suas mensagens.


Se a brincadeira de reservar ingressos falsos foi ou não o motivo das arquibancadas superiores vazias no comício de Trump, os adolescentes comemoraram bastante on-line. No Twitter, várias contas twittaram, "a melhor pegadinha de todos os tempos".

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