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Muitos funcionários do Facebook acham que a empresa precisa enfrentar Trump agora mais do que nunca

Os funcionários do Facebook estão fartos de como Mark Zuckerberg está lidando com a postagem de "saques ... tiros" de Trump.

Link:

https://www.vox.com/recode/2020/6/1/21277108/facebook-employees-protest-mark-zuckerberg-trump-looting-shooting-george-floyd-fact-chec

Veículo: Vox.com/recode

Data de publicação: 01/06/2020

Autorx: Shirin Ghaffary

Título original:

Many Facebook employees think the company needs to stand up to Trump now more than ever

Facebook employees are fed up with how Mark Zuckerberg is handling Trump’s “looting ... shooting” post.

Traduzido por/Translated by: Eduarda Correia

Em uma rara demonstração pública de dissidência, os funcionários do Facebook estão criticando o CEO Mark Zuckerberg. Eles discordam de sua decisão de não fazer nada quanto aos posts inflamatórios do presidente Donald Trump sobre pessoas protestando contra a morte de George Floyd pela polícia em Minneapolis.


Depois que Trump postou na sexta-feira, no Facebook e no Twitter, que "quando os saques começam, os tiroteios começam" em resposta aos protestos em Minneapolis, ativistas de direitos civis de grupos como o Color of Change - assim como alguns funcionários do Facebook - pediram a empresas de mídia social para derrubar as postagens ou sinalizá-las por uma retórica violenta.


O Twitter não excluiu o post polêmico, mas colocou um aviso no mesmo, baseando-se na decisão tomada no início da semana, quando alertou que os tweets do presidente compartilhavam informações enganosas sobre a votação por correio. Mas Zuckerberg decidiu deixar todas as postagens como estão, argumentando que, embora discordasse fortemente dos comentários do presidente sobre os manifestantes, a publicação não violava as políticas da empresa sobre incitar a violência. Ele também apareceu na Fox News no início da semana, onde criticou o Twitter por verificar as postagens de Trump sobre as cédulas de votação por correio. Ele disse que não queria que sua empresa fosse um "árbitro da verdade" em questões políticas.


Agora Zuckerberg está enfrentando uma reação pública sem precedentes dos funcionários do Facebook. No Twitter, vários funcionários de alto escalão criticaram a decisão de Zuckerberg de não excluir os comentários de Trump. Dezenas de funcionários estão participando de um protesto de "paralisação virtual", tirando folga na segunda-feira e mudando seus avatares internos para um ícone de punho levantado, como o New York Times divulgou em primeira mão.


A Recode apurou que os funcionários continuam desafiando abertamente a liderança da empresa em fóruns internos e em uma reunião virtual de perguntas e respostas com o diretor técnico do Facebook, Mike Schroepfer, na segunda-feira. Para o Facebook, uma empresa com uma reconhecida cultura unificada, que às vezes alguns ex-funcionários descreveram como bajuladora, isso representa uma mudança interna significativa na empresa. Isso reflete tanto a urgência dos eventos atuais, quanto a frustração dos funcionários que se manifestaram discretamente, de forma privada, para que o Facebook tome medidas nas postagens de Trump, mas sentem que a empresa ignorou suas vozes.


Enquanto as tensões atingiram o pico na noite de domingo, Zuckerberg anunciou que a empresa doará 10 milhões de dólares para grupos que trabalham com justiça racial. Mas isso pareceu incomodar ainda mais alguns funcionários.


"Em vez de jogar dinheiro na situação, podemos assumir uma posição real e mudar nossas políticas e produtos para chegar à raiz do problema?" um funcionário escreveu, de acordo com comentários internos no post de Zuckerberg anunciando a doação na plataforma interna do Facebook para comunicação com funcionários, Workplace, que a Recode teve acesso. "Por que estamos aguardando e deixando nossa plataforma ser usada para ameaçar e incitar a violência?”


Esta não é a primeira vez que o Facebook é acusado de inação quando se trata de fazer cumprir suas regras de moderação em postagens de Trump ou de outros políticos de destaque. Mas agora os funcionários estão expressando preocupações, argumentando que o Facebook tem um papel importante a desempenhar na definição dos padrões de aceitabilidade para o discurso de um líder mundial.


“Reconhecemos a dor que muitos do nosso povo estão sentindo agora, especialmente nossa comunidade preta. Incentivamos os funcionários a falar abertamente quando discordam da liderança. Ao nos deparar com outras decisões difíceis sobre o conteúdo no futuro, continuaremos buscando seus feedbacks honestos”, disse um porta-voz do Facebook em um comunicado à Recode, acrescentando que o Facebook apoiará os funcionários que participarem da paralisação virtual na segunda-feira, não exigindo que eles usem suas próprias folgas remuneradas.


"Como vocês esperam que trabalhemos em uma empresa que apóia um homem que constantemente incita a violência e o intolerância neste país?" outro funcionário escreveu no post interno de Zuckerberg anunciando a doação de 10 milhões de dólares. O post teve mais de 200 comentários de funcionários na segunda-feira de manhã, a maioria deles criticando, de acordo com uma fonte que falou sob condição de anonimato.


Alguns funcionários, no entanto, parecem se alinhar atrás de Zuckerberg, com um comentarista dizendo que "provavelmente a maioria silenciosa" dos funcionários do Facebook apóia o CEO. Outro funcionário propôs a realização de uma pesquisa em toda a empresa para avaliar se isso é verdade ou não. Em uma pesquisa do National Research Group divulgada pela Axios, uma estreita maioria dos americanos é a favor da moderação do discurso de Trump on-line, com 54% dos entrevistados dizendo que apóiam os posts de Trump terem os fatos checados nas redes sociais.


Além de expressar sua raiva, muitos funcionários do Facebook propuseram soluções para os problemas do Facebook em torno da moderação de Trump, como reformular suas regras de discursos de ódio ou aplicar suas políticas de discursos violentos e informações enganosas para os políticos tão estritamente quanto para as pessoas comuns.


"Acho que o mais importante é que usemos exatamente o mesmo padrão para tratar a postagem de Trump que tratamos todas as outras possíveis postagens de incitação à violência em nossa plataforma", escreveu outro funcionário do Facebook em resposta à publicação interna de Zuckerberg no domingo. "Embora ele seja uma 'celebridade', dada a sensibilidade do tópico e sua influência, não queremos blindá-lo de qualquer proteção".


Outro funcionário perguntou quando o Facebook iniciaria de fato seu planejado conselho de supervisão independente, que deveria tomar decisões sobre postagens controversas.


Mas o conselho de supervisão levaria meses, no mínimo, para se tornar operacional. E mesmo assim, provavelmente não abordaria os tipos de declarações incendiárias que Trump publica, porque começará analisando o conteúdo que pode ter sido injustamente retirado - e os comentários de Trump sobre os manifestantes foram autorizados a permanecer na rede social.


Enquanto isso, o Facebook continuará enfrentando a reação dos funcionários, que não mostra sinais de diminuir. Em meio à intensa pressão dos funcionários, Zuckerberg está transferindo uma reunião rotineira marcada para o final da semana para terça-feira, quando é esperado que ele se manifeste quanto às preocupações sobre decisões recentes.

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